Parada Nerd 2016 reúne amantes da cultura pop em Campo Grande

Por: Camila Vilar, Gustavo Zampieri e Leopoldo Neto

Já consolidada como: ‘o maior evento de cultura pop do Mato Grosso do Sul’, a Parada Nerd  é a prova de como bons eventos podem dar certo fora do eixo Rio-São Paulo. Em sua terceira edição, a convenção contou com diversas palestras de personalidades da cultura nerd, assim como estandes de lojas brasileiras e locais populares desse segmento. Além disso, diversas dinâmicas, brincadeiras e concursos de cosplay serviram para animar os 4 mil participantes, segundo a organização da parada.

A Parada Nerd, que aconteceu entre os dias 21 e 22 de maio no Círculo Militar de Campo Grande, foi um evento multi temático, reunindo pessoas de diversas idades. A cultura pop e nerd possibilita englobar diversos nichos de cultura, filmes, games, quadrinhos, danças, músicas e cosplays. O evento contou também com arrecadação de alimentos não perecíveis destinados a Afrangel (Associação Franciscanas Angelinas). Foram doados cerca de 300kg de alimentos.

Aficcionados pela cultura pop, os nerds representam uma economia em ascensão. Grande parte dos produtos de entretenimento estão se voltando à eles, como os filmes, jogos e quadrinhos produzidos pelas magnatas da comunicação Marvel e Dc Comics, que estão mais ricas do que nunca. O público nerd possui uma grande fidelidade e isso possibilita a criação de grandes eventos no Brasil para celebrar a cultura pop, como a Comic Con Experience em São Paulo.

O nerd, classicamente descrito como alguma pessoa extremamente inteligente e conservadora, com vestes estranhas e ranzinza devido ao livro ‘Se eu dirigisse um zoológico’ criado pelo famoso escritor infantil Dr. Seuss’s em 1950, está fugindo completamente de suas raízes etimológicas e mostrando que não é preciso seguir padrões ou estereótipos para serem apaixonados por games, filmes e HQs.

Parada nerd 2016

O estudante de engenharia da computação, Uzi Santos Ferreira (19), foi centro das atenções no primeiro dia do evento. Fantasiado do mercenário tagarela Deadpool.  Uzis conta que para ser um cosplayer é preciso incorporar o personagem. “É isso que eu faço, eu sou o deadpool, não sou o Uzias. O Uzias é outra pessoa, é da computação, é nerd, é quietão, mas o deadpool não. Ele é brincalhão, é safado, é tudo.” O estudante investiu pesado na fantasia, em torno de 600 reais, ao falar sobre o gasto, Uzis afirma: “se você gosta dos personagens, é um investimento para a vida toda, porque o personagem nunca vai morrer pra você.”

Cobertura realizada pela Agência Fotográfica do Curso de Jornalismo da UFMS

Lucas Petrucci (23) realiza cosplay do personagem Coringa há 15 anos e veio de São Paulo só para o evento

Parada nerd 2016

Mohammad Samar (23), dono da Deck Boxes, loja exposta em um dos estandes do evento, inaugurou a Deck durante a Parada Nerd e conta que o evento superou as expectativas: “olha a gente tá bem feliz, porque as vendas estão bem mais altas do que a gente imaginou. A gente imaginou que algumas coisas iriam sair mais e não saíram, mas em compensação outras estão saindo mais.” Segundo Mohammad, o mercado nerd está em ascensão devido à fidelidade dos clientes. “Se a gente produz uma peça boa, com valor que eles acham justos e se a gente trata o cliente bem, eles vão voltar a comprar, isso é o principal ponto desse grupo.”

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A parada contou com alguns artistas ilustrando ao vivo. Gustavo ( 29), é um deles, desde criança sempre queria desenhar, não precisava ser necessariamente no papel, bastava ser possível criar um desenho e ali ele soltava sua criatividade. Seu sonho era trabalhar com ilustração e lutou com persistência nesse objetivo. Para Gustavo, ser ilustrador é estar realizando um sonho: “ao longo da vida a gente fica adulto e tem que trabalhar em outras coisas, coisas que não tem nada a ver com a área.” Mas isso não o impediu de continuar e já está a dois anos trabalhando por conta própria.

Outro artista presente no evento foi Anderson Barbosa (39), ilustrador, que está trabalhando sozinho há cinco meses. Antes ele pertencia a algumas agências, contudo ele conta que estando por conta própria é: “muito melhor porque estou conseguindo pegar não só serviços aqui em Campo Grande, mas também pra fora.” E assim como Gustavo, Anderson gostava de desenhar desde pequeno, quando cresceu fez faculdade de Artes Visuais e a partir disso se tornou profissional na área.

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