Debate aborda a representação da mulher na imprensa campo-grandense

Mylena Fraiha
EJ Brava


A Subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), promoveu na terça-feira, 25 de abril, a discussão “Diálogos e Desafios: A mulher e a imprensa”, com as contribuições da Prof.ª Katarini Miguel e da jornalista Lynara Ojeda.

Diante do avanço tecnológico e a expansão da questão feminista nas redes sociais e nos veículos de comunicação, o debate trouxe à tona questões importantes ao profissional do jornalismo, como a representação do feminicídio nas coberturas jornalísticas, a pouca representatividade das mulheres na mídia e a carência de mulheres como fonte de informação nas reportagens.

Outra problemática discutida, foi a lacuna deixada na formação dos jornalistas, que resulta no despreparo para retratar, adequadamente, a complexidade dos casos de feminicídio. “Como preparar jornalistas para que eles façam uma cobertura adequada, esse é o grande problema. E entender se esse jornalista se apropria dessa complexidade e das especificidades que encobrem esse tema”, avalia Katarini.

A jornalista e mestranda Lynara Ojeda, trouxe dados de sua pesquisa em andamento. Ela notou no contexto local, a escassez da figura feminina nas matérias jornalísticas e a constante banalização e romantização dos casos de feminicídio. Além disso, a pesquisa demonstra que há predominância de mulheres como repórteres nas redações locais, algo que chamou a atenção dela, já que parte dessas matérias são produzidas por mulheres. “Como é que nós, mulheres, estamos reforçando o machismo e a violência contra a mulher que acontece na nossa sociedade. Criticamos as atitudes dos homens, e eles realmente fazem muito disso, mas e nós? Como estamos colaborando com isso? ”, indaga Lynara.

Além da representação da mulher na imprensa, abordou-se a figura da mulher na redação jornalística. As profissionais presentes relataram as situações machistas que foram submetidas, enquanto jornalistas, e questionaram a constante preferência por profissionais do sexo masculino para assumir cargos de chefia nas redações.

O evento contou com a presença de alunos, professores e jornalistas, em sua grande maioria mulheres. A EJ Brava compareceu ao evento, os registros fotográficos podem ser conferidos abaixo.




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