Acadêmicos da UFMS realizam atendimento de saúde às comunidades ribeirinhas do Pantanal

Por: Daiana Porto, Danielle Matos e Karina Cantiere – EJ BRAVA


Foram feitos mais de 50 procedimentos de odontologia, enfermagem e nutrição na última visita à BEP

Entre os dias 23 e 25 de junho, representantes da BRAVA – Empresa Júnior de Comunicação e Jornalismo da UFMS – acompanharam cursos da área de Ciências da Saúde à Base de Estudos do Pantanal (BEP), localizada no Passo do Lontra, à 100km de Corumbá. Segundo os moradores da região, o lugar recebe esse nome por ter sido passagem de comitivas pantaneiras que transportavam a boiada em meio as lontras que ali viviam. A BEP abriga um ambulatório médico onde são realizados os projetos “Sorriso Pantaneiro”, do curso de Odontologia, “Caminhos do Empoderamento”, de Enfermagem e Nutrição, e “Atenção Primária à Saúde”, de Medicina. Os acadêmicos atendem às comunidades ribeirinhas em torno do rio Miranda, sempre acompanhados de um professor responsável.

Segundo o professor de odontologia e coordenador do “Sorriso Pantaneiro”, Luiz Massaharu Yassumoto, o projeto não trabalha com agendamento de pacientes, mas com a divulgação antecipada aos ribeirinhos das datas em que acontecerão os atendimentos ao longo do ano. “Eles possuem um calendário das vindas da equipe de saúde que é disponibilizado mais ou menos em fevereiro em escolas, mercados e áreas de maior trânsito. Quem chega até nós é atendido”, garante o professor.

As práticas servem de laboratório para os alunos da graduação, que podem aplicar o conteúdo passado em sala de aula e exercitar a perspectiva social e humana de suas futuras profissões, através do contato com os ribeirinhos. “É um projeto que supera qualquer grade curricular, pois além do conteúdo teórico que nós conseguimos aplicar na prática, aprendemos coisas que não serão usadas apenas na graduação. Ele nos proporciona essa responsabilidade social que devemos ter como profissionais. É muito gratificante para mim como acadêmica de enfermagem ter esse olhar, tanto para com a comunidade como para as questões que envolvem o processo saúde-doença”, avalia a estudante Sílvia Furtado.

Para o morador do vilarejo Vila Margarida e piloteiro de barco de pesca Geraldino Dias, o atendimento na BEP evita os grandes, e muitas vezes caros, deslocamentos a procura de serviços de saúde. “É muito bom pra gente que mora longe, porque a distância até a cidade de Miranda é de 110 quilômetros. Trago todo mês minha família para se consultar”.

Marinete Ribeiro, presidente da comunidade do Passo do Lontra, é atendida pelo projeto desde que mora no entorno, há nove anos. Ela destaca a importância dos exames e consultas realizados na Base, como o preventivo feminino, que seria de difícil acesso nas unidades de saúde. “É muito bom. Se fosse na cidade teríamos que enfrentar filas enormes, correndo risco de nem ser atendido”.

Os atendimentos no posto médico são realizados uma vez por mês,  durante todo o sábado e domingo pela manhã, e incluem exames de saúde da mulher, como o papa nicolau, hemograma, exame bioquímico, glicemia capilar, teste de gravidez, acompanhamento pré-natal,  medição do IMC (índice de massa corporal) para instruções alimentares, raspagem dentária, tratamento e remoção de cáries, controle de pressão arterial, acompanhamento de pacientes diabéticos e hipertensos, além da distribuição de medicamentos para aqueles que já estão em tratamento médico. Ao todo, nessa última visita da equipe à base, foram realizados 21 atendimentos odontológicos, 12 nutricionais e 23 na área enfermagem.  A ribeirinha Conceição Marília trabalha em um hotel próximo à BEP e se beneficia dos serviços oferecidos desde 2012. Ela realizou o pré-natal da filha, hoje com três meses, no posto médico. “Eles acompanharam minha filha até os sete meses. Minha irmã vem aqui, minha mãe, meu padrasto, minha sobrinha.E agora eu trago ela também”, afirma.  Se o paciente necessitar de procedimentos mais complexos ou os diagnósticos apontarem problemas graves, ele é encaminhado para as unidades de saúde da cidade de Miranda.

A EJ BRAVA fez a cobertura das atividades na base que pode ser conferida logo abaixo:


Estrutura

A Base de Estudos do Pantanal foi fundada no início da década de 90 e comporta cerca de 50 pessoas por vez.

Além das habitações, de laboratórios e do posto de atendimento, conta com uma cozinha e um refeitório, que oferecem três refeições diárias aos visitantes – docentes e discentes da UFMS que desenvolvem projetos de extensão, ensino e pesquisa –  e pesquisadores de universidades parceiras do Brasil e exterior. Também abriga uma escola que atende crianças em idade escolar do 1º ao 9º ano.  Os alunos que não chegam em barco, tem à disposição um ônibus para transportá-los pelas estradas de chão.

Os funcionários da base trabalham na cozinha e na manutenção do espaço para receber os grupos, para tanto, residem no local e retornam às suas casas, nas cidades próximas, nos dias de folga.

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